Santrich: “Os casos da Argentina e do Chile na época das ditaduras, terríveis casos que nós deploramos, são pequenos frente ao tema da violação dos direitos humanos na Colômbia”
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| Jadson Oliveira |
Jesus Santrich, um dirigente das
FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que negocia a paz com o governo
colombiano: tem 24 anos de clandestinidade, mas agora está em Havana como
membro do Estado Maior da guerrilha participando nas negociações com o governo
de Santos. Nesta entrevista repassa a situação das FARC, o atual processo de
diálogo e defende o papel da Venezuela e Cuba nas gestões de paz.
– Como se gestaram as negociações
de paz com o governo colombiano de Juan Manuel Santos, que não são as primeiras
mas se pretende que sejam as últimas, para encerrar mais de 50 anos de conflito
armado em seu país?
– Em meados de outubro de 2012 se
anunciaram em Oslo, mas previamente houve conversações exploratórias em Havana,
de maneira discreta e durante seis meses. Ao anúncio formal seguiu o recesso
dum mês para começar aqui, em Cuba, um diálogo que aguardava por uma agenda.
Isso se fez finalmente em novembro. Trabalhamos até 21 de dezembro,
fundamentalmente aspectos de ordem metodológica e técnica, para logo mais
passar a abordar o primeiro ponto da agenda final. Em dezembro começamos a
tocar o ponto de política de desenvolvimento rural integral e territorial.
Houve um descanso para o governo pelo Natal e fim de ano e voltamos em meados
de janeiro. Estamos dando duro abordando o problema agrário na Colômbia, o
problema da terra.
– Com que proposta as FARC
chegaram a estes encontros em Cuba?
– Nós temos colocado o diálogo
como um único bloco de conversações. O governo inventou que são três etapas.
Uma que foi a exploratória que terminou em Oslo, a outra que, segundo eles
dizem, é a de discussões e debates que está se desenrolando aqui, e uma
terceira que supostamente é a de implementação e que começaria com nosso
desarmamento. Porém esta é uma interpretação que o governo faz. Nós dissemos
que queremos chegar a um acordo triangular sobre os problemas políticos,
econômicos e sociais do país e, dentro deste acordo geral, há seis pontos duma
agenda para tratar integralmente. Agora, por metodologia, abordamos o primeiro
ponto, que é o das políticas de desenvolvimento agrário. Era um dos que geram
maior controvérsia, porque no centro da confrontação na Colômbia está o
problema do uso e posse da terra. Nós cremos que, se não superamos isso, se não
há uma democratização da posse da terra e das definições do uso da terra,
dificilmente vamos conseguir a paz na Colômbia, é quase impossível.
– Parece desalentador como
prognóstico?
– É que a confrontação já leva
mais de meio século e na raiz está esse problema da terra. Participamos de
diversas tentativas de diálogo e é um dos nossos princípios tratar de encontrar
saídas que não sejam pela via violenta. Sempre está aberta de nossa parte a
possibilidade do diálogo. Com (Álvaro) Uribe foi impossível porque seu governo
era extremadamente fascista e não podia abrir-se essa possibilidade. Juan
Manuel Santos desde que começou seu governo nos mandou mensagens para ver se
ocorria uma aproximação e nós estivemos analisando a conveniência ou não – acreditávamos
que era necessário ver, tentar, explorar, ainda sabendo que se trata dum
governo continuísta cuja essência é a aplicação das medidas neoliberais e o
avanço dos projetos extrativos na Colômbia. Nosso país é uma ponta de lança
para todo esse processo de neocolonização que está sendo traçado a partir da
Casa Branca.
– Mas enquanto mandava esses
sinais de diálogo que você menciona, sua ação militar continuava atacando alvos
das FARC, com perdas bastante severas para a guerrilha?
– A militarização no país vai em
crescendo, nunca diminuiu. Em menos de duas décadas o que se destina à guerra
duplicou. Do Produto Interno Bruto, é mais ou menos 6,2% ou 6,3% o valor
destinado à inversão militar. Essa é a situação que estamos enfrentando. E
nessa confrontação sempre houve mortos, prisioneiros, dos dois lados. Nós
dissemos que há necessidade de estabelecer um cessar fogo bilateral para gerar
um ambiente mais positivo. Sobretudo para que se gere uma situação que alivie
as dores da guerra entre a população. O governo não o quis. Nós demonstramos
nossa contribuição à paz quando fizemos um cessar fogo unilateral durante dois
meses. Até 20 de janeiro estivemos num cessar fogo unilateral. Mas o governo
persiste em sua posição, acreditando que intensificando a confrontação vai ter
um fator de pressão. Seguramente para que cedamos na defesa dos mais carentes.
Mas temos dito que se trata de um equívoco e temos insistido em que se o
governo não aceita o cessar fogo bilateral, pelo menos deveria pactuar algumas
cláusulas para regularizar as consequências dessa confrontação, para
suavizá-la.
– No plano militar, o governo de
Santos divulgou suas ações contra as FARC como êxitos contundentes. As mortes
de dois altos chefes como Alfonso Cano em 2011 e Jorge Briceño em 2010 o
demonstram, ou vocês absorveram esses impactos reorganizando seu comando sem
dar muito na vista?
–Nós, é certo, recebemos golpes
severos, mas aplicamos também, sempre estamos tratando de contrapor todo o
avanço tecnológico, de ponta, que a Colômbia tem com o apoio dos Estados
Unidos, Israel, Inglaterra. Quer dizer, não estamos enfrentando somente o
exército da Colômbia, que tem meio milhão de efetivos com uma tecnologia muito
avançada. Esse é o inimigo que temos e estamos prontos e em posição, seja para
que se gere um cessar fogo bilateral, seja para seguir abrindo espaços de paz
em meio à confrontação. É uma determinação tomada.
– Ou seja, estão dispostos a
continuar com a luta armada se não se dão as condições que propõem, como uma
distribuição mais igualitária da terra?
– Olhamos as coisas com muita
confiança em nossa força, e agora tratando de que a saída seja pacífica. Mas se
o governo definitivamente fecha as portas, nós estamos internamente
fortalecidos, em moral, em convicções e em planos para seguir adiante a luta de
resistência. Na Colômbia há oito ou nove bases militares gringas que interferem
diretamente nas instalações militares. O governo fez muita propaganda sobre os
últimos golpes porque se havia anunciado os quatro primeiros anos de governo de
Uribe como os anos em que se aniquilaria a força insurgente. Não só projetaram
isso para mais quatro anos e do governo seguinte. Logo depois, como o conflito
se ampliou, começaram a falar do fim do fim. E depois se falou do pós-conflito,
mas o problema continua aí porque não se pode olhar somente em termos
militares, mas numa profunda confrontação do tipo social que cada vez é maior.
O Estado não pôde derrotar nem esse inconformismo nem sua expressão armada, que
está na insurgência.
– As FARC têm em frente um
exército de 500 mil homens mais o dinheiro e a logística fornecida pelos
Estados Unidos. Quais são seus apoios para lutar contra uma força de semelhante
envergadura?
– Na Colômbia há em torno de 30
milhões de pobres, entre 45 milhões e tanto que é o total de sua população. E
desses 30 milhões há em torno de 12 milhões em situação de indigência. Aí há um
caldo de cultura tremendo, que sempre é uma situação tensa, a ponto de explodir
a qualquer momento. Mesmo apesar da ofensiva contra o movimento popular, das
medidas de repressão, da guerra suja que se traduz em milhares e milhares de
mortos, em centenas e centenas de fossas comuns por todo o país… há organização
clandestina, há organização do movimento popular que tem sua própria dinâmica,
e dentro desse espectro de organizações populares, amplos setores nos apoiam.
Nas zonas rurais, fundamentalmente onde está a população mais segregada, mais
oprimida, há um amplo apoio. Devo dizer que o trabalho político das FARC
durante meio século cresceu muito. Nós temos incidência nas “barriadas”
(bairros pobres, favelas), nas fábricas, nas universidades, nas cidades em
geral. Hoje, em qualquer expressão do movimento popular e social está a
presença das FARC.
–Segundo você, este seria o
principal motivo pelo qual o exército colombiano, com o apoio do governo dos
Estados Unidos, não pôde até agora derrotá-los em quase 50 anos de luta, já que
as FARC foram criadas em 1964?
– O social e o político são
fundamentais. A gente sustenta um movimento insurgente como o nosso quando há
razões para isso. Quer dizer, ninguém se arrisca a uma guerra e a expor sua
vida por um capricho. É uma questão de necessidade. Se nós aceitamos que os
Estados Unidos possam fazer o que querem onde queiram, estaríamos condenados à
resignação como uma enfermidade da alma e da moral dos pobres. Observamos o que
ocorre no mundo e acreditamos que a crise do capitalismo é irreversível. Agora
mais do que nunca a resistência deve se aprofundar nas suas diversas formas de
expressão. Acreditamos que está ocorrendo o crescimento duma insurgência global
não especificamente armada e, definitivamente, essa crise multiforme do capitalismo
vai levar o império a seu debacle. Não devemos esperar que isso aconteça por
seu próprio peso. Temos que empurrá-lo e acreditamos que o exemplo da
resistência na Colômbia é importante, como o é também o exemplo em outros
países com expressões de luta diferentes da armada. A luta armada é uma
legítima opção, um dos direitos dos povos que vem sendo praticado
historicamente e que agora continua tendo atualidade.
– Como se dá esse tipo de
resistência no âmbito social, sindical ou estudantil?
– Toda a militância é
clandestina. Porque o regime tem uma política terrorista. Se alguém identifica
nossas ideias, as das FARC, é natural que se reprima com ações de terror. Na
Colômbia todos os dias há assassinatos políticos. São praticados a partir do
Estado. Recentemente, o mundo conheceu aquele assunto dos falsos positivos
(camponeses assassinados, cujos corpos são vestidos com fardas de guerrilheiro
e anunciados publicamente como guerrilheiros mortos em combate), que são mais
de quatro mil casos já denunciados, muitos deles documentados na Procuradoria
Geral da Nação. Se tratam de casos de gente comum, simples, que era assassinada
e apresentada como guerrilheiros e mortos em combate. É um crime de Estado de
lesa humanidade. As desaparições também são a granel.
– Se pode saber quantas
desaparições houve ao longo do conflito ou numa etapa determinada, por exemplo,
as ocorridas desde a presidência de Alvaro Uribe até hoje?
– Se está falando de mais de
250.000 desaparições, mas especificamente, durante o governo de Uribe, elas são
entre 18 mil e 19 mil.
– Por que a imprensa
internacional não reflete estas cifras com a dimensão trágica, de genocídio,
que vocês difundem?
– Temos feito denúncias por
diversas vias apesar de que há um cerco midiático que não é somente colombiano,
mas das transnacionais da informação. No lançamento dos diálogos em Oslo
(Noruega), nosso documento denuncia a situação que há na Colômbia de crise
humanitária, de violação sistemática e histórica por parte do Estado dos
direitos fundamentais da população. Mas meu país tem sido infeliz quanto ao
interesse real demonstrado na sua problemática. Os casos da Argentina e do
Chile na época das ditaduras, terríveis casos que nós deploramos, são pequenos
frente ao tema da violação dos direitos humanos na Colômbia. Um só dado pode
indicar o que digo: o extermínio da União Patriótica (articulação de esquerda
criada em 1985 para atuação aberta e democrática e exterminada fisicamente
através dum plano sistemático da direita), que custou a vida de mais de cinco
mil militantes desse projeto, dessa frente política que foi lançada a partir
das plataformas das FARC visando iniciar um processo de pacificação na
Colômbia. E isso não se sabe. Quer dizer, os massacres, as desaparições como
práticas do terrorismo de Estado são uma constante.
– Além do que você define como o
papel das transnacionais da desinformação, que análise faz da situação política
atual na Colômbia?
– Mais do que a dimensão numérica
ou a dimensão política das FARC, que consideramos ampla, acreditamos que o mais
importante é o despertar que está tendo o movimento popular. Sentimos que há
uma reativação muito grande, um realinhamento de forças, setores sociais,
sindicais, que estão coesionando e estão fazendo importantes experiências que
temos que levar em conta, motivá-las e abrir-lhes espaço com o exercício da
política. Por isso, nós sempre que falamos de abrir mais espaços de democracia
verdadeira na Colômbia concitamos à solidariedade internacional que surge dos
movimentos políticos e organizações dos direitos humanos…
– Em que se reflete essa
solidariedade?
– Existe muita solidariedade.
Creio que é a essência dos povos, e tem suas formas de luta ou se dá na
clandestinidade, porque há muita perseguição com a globalização dos mecanismos
do império para reprimir. Os países com governos democráticos que, de uma forma
ou de outra, ajudam os povos em luta são estigmatizados e de alguma forma
esmagados. Então, tudo o que se faça para fortalecer o movimento de resistência
popular tem que se dar em vários níveis. Um desses níveis é o clandestino.
Existem outros níveis abertos que têm seus procedimentos.
– Como analisa o processo de
integração que se deu na América Latina durante mais duma década e que avançou
contra a vontade dos Estados Unidos de impor suas políticas para a região, como
no caso da ALCA (Área de Livre Comércio da América)?
– Penso que na América Latina o
movimento popular criou novas expressões de governo por todo nosso continente,
o que resultou em mudanças fundamentais. Não há uma hegemonia total do Norte.
Pensamos que existem experiências muito positivas que têm sido geradas pela
mobilização popular, como as que ocorrem no Equador, na Bolívia, no Uruguai, na
Venezuela. Não são desdenháveis para nós. São muito importantes e cremos que
estas expressões ajudaram para que os setores mais desfavorecidos hoje possam
ter maior incidência no exercício da política internacional, no exercício da
política interna de cada um desses países, inclusive os que são de direita e se
veem obrigados a atender seus povos porque sabem que pode haver uma reversão de
sua hegemonia. Há muitas possibilidades na América Latina. O papel da Venezuela
aqui foi fundamental. Se não fosse pelo comandante Chávez, as FARC não teriam
tido a confiança de chegar a um cenário de diálogo com um governo de extrema
direita como o de Juan Manuel Santos. Da mesma forma, a participação de Cuba
nos dá confiança, e muito mais confiança sentimos pelo fato de muitos governos
do continente terem respaldado o processo ora em curso.
– Que papel cumpriu a Noruega
como país, que também é avalista destas conversações de paz?
– A Noruega tem uma tradição
nisso, em mediar em diversos conflitos a nível mundial – inclusive não só está
mediando, está jogando um papel de avalista no conflito político-social que há
na Colômbia, e creio que faz uns anos mediou num conflito filipino e em muitos
outros a nível mundial. O governo de Juan Manuel Santos propôs que fosse um dos
avalistas e o consideramos viável. Nós acreditamos que toda a Europa deveria
estar envolvida e não estar fazendo listas de organizações terroristas
obedecendo os interesses ianques. Que assumam um papel mediador nos parece
importante, um grande aporte a gerar a paz no continente latino-americano, como
está fazendo a Noruega.
– Três temas finais e mais
pessoais. Seu problema de visão tem relação com ferimentos sofridos em combate
ou se deve a uma enfermidade?
– É por um problema neurológico,
progressivo, que se agravou até que perdi a vista. Eu creio que faz uns quatro
anos. É um problema genético, concretamente se chama síndrome de Leber. E por
isso uso os óculos escuros, não é por um problema de combate nem nada.
– Em que circunstâncias alguém
como você, que vive na clandestinidade, na selva, pôde tratar-se duma
enfermidade progressiva como essa?
– Temos nossa maneira na
clandestinidade de atender estes assuntos. Os ferimentos de guerra são o mais
urgente. E problemas específicos. Temos também a solidariedade de muita gente
na Colômbia que nos brinda seus serviços profissionais, suas clínicas. Os
corredores da clandestinidade em nosso país são mais do que parecem e mais do
que conta a inteligência militar. E temos que tratar de preservá-los e
mantê-los porque são um pilar da resistência popular. No meu caso particular,
são problemas com os quais temos que aprender a conviver. Felizmente, a natureza
nos deu outros sentidos e temos que desenvolvê-los, temos que pô-los em
funcionamento e, sobretudo, temos que fomentar muito a sensibilidade social,
que é o que nos dá o ânimo para seguir adiante.
– A passagem à clandestinidade
significa renunciar a uma vida legal (foi usada no espanhol a expressão “una
vida de superficie”), perder contato com a família talvez para sempre, como é
para você, um comandante das FARC, viver nessas condições na Colômbia atual?
– A maioria dos combatentes leva
a família em seus corações. Muito esporadicamente se pode fazer contacto,
porque isso seria colocar em risco as pessoas que são de nossos sentimentos
mais íntimos. Mas há outra família que está em contacto cotidiano, são os
combatentes que estão conosco. As FARC, além de ser uma organização
político-militar, somos uma família, nos queremos como irmãos, entre nós impera
a fraternidade, a camaradagem, a solidariedade e eu creio que isso preenche o
grande vazio que nos gera ter nossos seres queridos longe. Quero me despedir com
um “saludo” afetuoso ao povo argentino, para esse povo que pariu homens tão
grandes como o Che, nosso Ernesto de La Higuera.
POR QUE JESUS SANTRICH?
Uma vida de militância
Por Gustavo Veiga
Seu verdadeiro nome é Seusis
Pausivas Hernández, mas nas FARC responde pelo codinome de Jesús Santrich. É
membro do Estado Maior da guerrilha colombiana, a mais antiga da América.
Ademais, um dos seus chefes no Bloco Martín Caballero da costa caribenha. Em
Havana, Cuba, participa das negociações de paz com o governo de Juan Manuel
Santos. Tem 24 anos na clandestinidade, desde que ingressou nas fileiras da
Frente 19 quando tinha 21 anos. Antes havia militado na Juventude Comunista (a
Juco) e na União Patriótica, uma força política de esquerda criada em 1985 e
que foi dizimada pelos paramilitares e narcotraficantes.
Crítico do latifúndio colombiano
como a principal causa dos males que atingem seu país, voz de peso no tema da
distribuição da terra, é um homem que escreve (em 2008 publicou seu livro
Relatos Tayronas, sobre os povos originários da Sierra Nevada) e cumpre um
papel chave na área de comunicação das FARC.
Este repórter cruzou com ele no
hotel Palco da capital cubana, pegado ao Palácio das Convenções, onde estão se
desenrolando as conversações de paz entre o Estado colombiano e as FARC.
Santrich não podia passar desapercebido pelos jornalistas que participavam dum
Congresso sobre Redes Sociais e Meios de Comunicação Alternativos, organizado
pela área de imprensa do Ministério das Relações Exteriores Cubano. Cego, se
move sempre acompanhado por uma jovem guerrilheira que lhe dá assistência e um
bastão. Aparece sempre nas fotografias com uma peça sua indumentária: um lenço
palestino do qual não se separa quase nunca. De falar pausado e sereno, mas
firme em suas convicções, defende o papel de Hugo Chávez e Cuba nas gestões de
paz.
Tradução: Jadson Oliveira
Observação do Evidentemente (Por
Jadson Oliveira):
Chávez: “Costumo falar, e falar
muito”
Quando de minha última estadia em
Caracas (junho a outubro/2012), me lembro do então presidente Hugo Chávez
fazendo referência ao diálogo em busca da paz entre as FARC e o governo da
Colômbia, durante uma das suas freqüentes aparições na televisão.
Contou que num encontro de chefes
de Estado, o presidente colombiano Juan Manuel Santos falou-lhe à parte que
tinha um assunto para conversar com ele, mas os dois a sós. Como se sabe, os
dois conseguiram construir uma ótima relação, apesar das diferenças
político-ideológicas e das “ciumeiras” do ex-presidente Álvaro Uribe, notório
líder da ultra-direita na América Latina e aliado preferencial do império
estadunidense.
Depois, a sós, Santos revelou a
Chávez sua pretensão de querer armar as conversações com os guerrilheiros. O
líder da chamada Revolução Bolivariana achou ótimo e conversaram a respeito. No
seu comentário na TV Chávez observou que, infelizmente, não poderia se estender
sobre o assunto, teria que se manter muito discretamente, só poderia falar se
solicitado pelas partes em negociação.
Disse mais ou menos assim (cito
de memória, tentando ser exato não nas palavras, mas no sentido): “Vocês sabem
que não é do meu feitio calar sobre qualquer tema em questão, ao contrário
costumo falar, e falar muito, mas neste caso não devo, não posso”.
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