12/04/2013
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| leonardo severo |
“Na América Latina, a banda pobre
da direita não mede consequências e usa todos os métodos possíveis para manter
seus privilégios de classe. Basta lembrar o que fizeram em Honduras e, mais
recentemente, no Paraguai” (JoãoPedro Stédile)
por Leonardo Severo, do
ComunicaSul*, direto de Caracas
O Comando Regional (Core) 4 da
Guarda Nacional da Venezuela, localizado na região ocidental do Estado de Lara,
capturou na última quinta-feira (11 de abril), paramilitares colombianos com armas e explosivos. A captura
ocorre às vésperas das eleições presidenciais que ocorrerão no próximo domingo
(14).
Além dos terroristas colombianos,
foram presos mercenários salvadorenhos, ambos com estreitos e reconhecidos
vínculos com a política de desestabilização promovida pela CIA contra a
revolução bolivariana. Também foram detidas cerca de 30 pessoas acusadas de
sabotar as redes de transmissão de energia.
Setores do governo temem que a
oposição – se for derrotada mais uma vez – abandone o caminho institucional,
partindo para a desestabilização armada – com apoio de fora do país. Seria algo
parecido com o que já ocorreu na Líbia e acontece agora na Síria. Só que bem na
fronteira com o Brasil.
“Temos capturado vários militares
colombianos com uniformes da Venezuela. Estamos desmontando um plano de
violência da direita”, denunciou o presidente em exercício e candidato
chavista, Nicolás Maduro. Conforme o presidente, após uma investigação
exaustiva, foram vasculhadas várias casas e encontrados explosivos e armas.
Parte dos armamentos foi
encontrada após inspeção no galpão da empresa Cargas da Venezuela, responsável
por trazer ao país mercadoria procedente dos Estados Unidos. Somente neste
galpão foram apreendidos 48 carregadores para pistolas Glock com capacidade
para 32 cartuchos calibre 9
milímetros , um carregador tipo circular, chamado Caracol
(calibre 9 mm )
– com capacidade para 100 cartuchos,
assim como um carregador circular para fuzis.
MATERIAL DE GUERRA
“Este material de guerra e
carregadores de Glock são utilizados por bandos que se dedicam ao terrorismo. Há
evidências de uma relação direta com pessoas desestabilizadoras treinadas em El
Salvador”, declarou o chefe da Gore 4, Octavio Chacon.
O ministro do Interior, Néstor
Reverol, informou que o governo também “detectou” o ingresso de dois grupos de
mercenários “vindos de El Salvador” e que a Venezuela fechará o cerco aos
criminosos.
Após denúncia do governo
venezuelano, o presidente de El Salvador, Maurício Funes, acionou uma ampla
“investigação policial”, já que os mercenários salvadorenhos foram financiados
pela CIA para tentar matar no ano 2000 o presidente cubano Fidel Castro, assim
como tiveram envolvimento em atentados com bombas em hotéis da Ilha Caribenha.
As ações afetaram seriamente a
economia cubana ao comprometer essa importante fonte de renda do país. Vale
lembrar que o terrorista salvadorenho Francisco Abarca – procurado pela
Interpol após ter colocado uma bomba na discoteca de um hotel de Havana – foi
preso em julho de 2010 na Venezuela.
Para o coordenador nacional do
Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, que está
acompanhando o processo eleitoral venezuelano, a tentativa frustrada de apelar
à violência demonstra até onde chega o ódio da reação aos avanços da revolução
bolivariana: “Isso é revelador de como, na América Latina, a banda pobre da
direita não mede consequências e usa todos os métodos possíveis para manter
seus privilégios de classe. Basta lembrar o que fizeram em Honduras e, mais
recentemente, no Paraguai, onde produziram um conflito que não houve, mas assassinatos
planejados”, denunciou Stédile.
MÍDIA PRIVADA ESCONDE
O fato ganhou conotação de
denúncia nos jornais públicos venezuelanos, “Correio del Orinoco” e “Ciudad
Caracas”, enquanto os grandes conglomerados de comunicação da direita tentaram
dar uma conotação de crime comum, abrindo destaque para críticas às
“provocações” da Coreia do Norte.
Como já alertava o presidente
Hugo Chávez em relação à política belicista do império estadunidense, é
importante continuar reforçando a capacidade de reação dos nossos países e
povos. “O império não respeita os débeis. Os povos decididos a ser livres
precisam estar bem armados”, sublinhou Chávez, frisando que os norte-coreanos
precisam ter capacidade de reação, até para persuadirem os que já fizeram uso
do seu poder atômico contra civis e para não virarem um novo Iraque ou uma nova
Líbia.
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* Leonardo Wexell Severo integra o coletivo de
comunicação da Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS),
assessora a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e é membro fundador do
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
* O ComunicaSul é um coletivo de jornalistas
brasileiros, especializado em coberturas especiais na América Latina; gera
conteúdo exclusivo para a blogosfera, furando a hegemonia da velha mídia (no
Brasil, por exemplo,jornais deram pouco ou nenhum destaque à prisão dos
paramilitares estrangeiros na Venezuela).

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