sexta-feira, 3 de maio de 2013

ARTISTAS MARCHAM PARA A DIREITA?

Vereza foi meu assistente político do PCB - Rio, 
na década de 60, ao lado de Paulo Pontes, Francisco Milani , Vianninha e João das Neves.
Eram parte da  base de cultura do PCB - RJ

I - 


Bemvindo Siqueira
Para meu desgosto tenho observado humoristas e atores declaradamente de direita, até com ideologia fascista, burguesa, imperialista  e apoiando  as forças mais retrógradas do País e do Mundo.

Acostumado à luta política  sempre pelo viés progressista,popular e socialista, causa-me estranheza tais posições.

Considero isto um desvio muito grande da nossa função humanista. Como o assunto é longo usarei de vários posts para falar sobre isto.

Este é o primeiro. Começa na Bahia na década de 1970:

A Escola de Teatro da Bahia fica numa avenida muito movimentada, Araújo Pinho, no bairro do Canela.

Em dado momento , por volta de 1978 os alunos resolveram denunciar a presença de um dedo-duro entre eles e colocaram uma faixa na escola, bem visível a todos os passante denunciando  o fato.

A unidade e  a firmeza dos artistas na luta contra a Ditadura era coisa de que todos nós da Categoria nos orgulhávamos.

Aquela faixa-denúncia, embora justa, daria a sensação de que nem todos éramos contra o regime militar. Quebrava a nossa unidade na luta.

Como dirigente cultural do Partidão fui até a Escola e pedi aos alunos  que retirassem a faixa. O que foi feito.

A cidade não precisava saber que entre nós havia um rola-bosta. Da nossa merda  cuidaríamos nós, entre nós mesmos.

A participação dos artistas continuou maciça até a conquista definitiva das liberdades democráticas na década de 80.

Aí começou uma mudança do quadro. Mas o assunto continua amanhã.

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II - 

Marília perseguida por ser "comunista"
Durante a Ditadura a repressão era tamanha que bastava falar em democracia ou liberdade para serem todos empurrados para o campo da esquerda, como se todos que usassem estas palavras fossem comunistas, socialistas, anarquistas, militantes marxistas ou similares.

A Ditadura na sua estupidez ideológica nos igualava. Nos irmanava. Artistas ou não. Todos juntos com um só epíteto: Comunistas ! Subversivos!

Cito como exemplo dos tempos da Ditadura a colega Marília Pera, que nunca foi política. Uma grande colega, mas completamente alheia à questão política. Mas a ditadura a tansformou quase em mártir ao invadir o espétáculo "Roda Viva" do Teatro Oficina -SP em que ela trabalhava.

Grande Marília, apolítica, não militante, perseguida pelo Comando de Caça aos Comunistas. Seria uma piada se não fosse o triste momento.

E assim, nesta unidade,  caminhamos na bela campanha "Diretas Já", e nas primeiras eleições para Presidente.
Ali, na eleição de Collor, começamos a perceber a diversidade.

Lembro-me que gravando na Globo, fiquei chocado ao ver que o sábio e veterano  ator Sebastião Vasconcellos votava com Collor. Era o único até então.

Collor eleito mais surpreso ainda fiquei  ao ver diversos colegas apoiando-o e frequentando o Palácio, subindo a rampa com elle.

Depois veio artista namoradinha com  aquela coisa  de "Tenho medo" na campanha anti-Lula, que foi  muito bem rebatida por Paloma Duarte.

A diversidade entre nós, artistas, aumentava conforme fortalecia-se a Democracia e suas instituições.

Amanhã vamos à terceira parte destes posts. Já focalizando os dias de hoje.


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