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| Helena Sthephanowitz |
Não está em todos os jornais,
como deveria acontecer, já que a nossa grande mídia se diz independente,
pluralista e apartidária. Na semana passada, teve o escândalo das notas fiscais
frias do deputado e Primeiro-secretário
da Câmara, do PSDB (Leia a notícia completa aqui). Dessa vez, apenas um jornal
paulista denunciou.
Operação Fratelli da Policia Federal revelou uma estreita
ligação entre Edson Aparecido (PSDB), hoje chefe da Casa Civil do governo
Geraldo Alckmin (PSDB), e Olívio Scamatti, dono de empreiteira Demop preso na terça-feira sob suspeita de chefiar
o esquema de fraudes em
licitações.Aparecido foi flagrado em conversas telefônicas com o empreiteiro.
A Demop atua em quase todas as cidades do
noroeste paulista. Boa parte das licitações que renderam contratos com
prefeituras para a empreiteira está sob investigação da Polícia Federal e do
Ministério Público.
A Demop foi doadora da campanha em 2006 do deputado tucano Edson Aparecido, agora chefe da Casa Civil do
Estado. A empreiteira fez dois repasses ao tucano, um de R$ 42,4 mil, outro de
R$ 49,2 mil, totalizando R$ 91,6 mil.
Outra empresa apontada como participante do
esquema doou, na eleição de 2010, R$ 170 mil para a campanha que reelegeu o
deputado tucano. Trata-se da Scamvias
Construções e Empreendimentos Ltda., que posteriormente teve seu nome alterado
para Scamatti & Seller Infraestrutura Ltda. Ela fez duas doações no mês de
setembro daquele ano, uma de R$ 120 mil e outra de R$ 50 mil. A empreiteira foi
a terceira empresa que mais doou para a campanha de Aparecido em 2010.
Já que a imprensa esconde....
Vamos desenhar como funciona de forma genérica
o método em quase todo escândalo de corrupção semelhante, e que já rendeu
centenas de operações da Polícia Federal.
O dinheiro sai dos cofres
públicos para pagar obras superfaturadas, passa por empreiteiras, que tiram
seus polpudos lucros, e uma parte vai para o bolso de políticos inescrupulosos.
Nas eleições, as empreiteiras pegam uma parte dos polpudos lucros obtidos com
dinheiro público, e financiam campanhas.
Existe alguma dúvida de que o dinheiro que financia
campanhas já é público? Só que dá “uma voltinha” por empresas privadas,
deixando só um pedaço para as campanhas, o resto acaba indo para o bolso de
empresários e políticos corruptos.
Mesmo quando empreiteiras
encontram pela frente políticos honestos, que não dão margem nem para conversa
sobre negociatas, as empresas podem agir nos bastidores através de associações
para combinarem preços mínimos, de forma que aquilo que gastam nas doações de
campanha é repassado ao custo das obras, ou seja: no final das contas o dinheiro
que financia campanhas vem dos cofres públicos do mesmo jeito, só passando
pelas empresas.
Esse quadro não se resume a
empreiteiras, envolvendo empresas de vários setores, e se espalha inclusive por
prefeituras e câmaras de vereadores de cidades pequenas. São famosas as
histórias de caixinha de empresas de ônibus, escândalos com merenda escolar,
fraudes na saúde e na educação e tantas outras mazelas, inclusive ilegais, como
no recente caso do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Ora, isso é o pior dos mundos.
Melhor as eleições e campanhas serem financiadas com dinheiro público direto e
transparente do orçamento da União, rompendo com o ciclo de empresários
picaretas ou contraventores bancarem a eleição de políticos picaretas para
fazerem picaretagem com dinheiro público, que realimentará o poder econômico de
picaretas e a eleição de mais políticos picaretas.
Há outros casos, que se enquadram
dentro da lei, mas não tem nada de republicano. Planos de saúde financiaram
bancadas de deputados que derrubaram a CPMF e detonaram a saúde pública,
obrigando pessoas pobres e idosos a comprometerem grande parte da sua pouca
renda com um plano de saúde que pesa muito no orçamento doméstico. Não é mesmo
senador Álvaro Dias (PSDB-PR)? O tucano foi financiado pela Unimed e votou
contra a CPMF.
Os banqueiros que financiaram as
campanhas demotucanas, no governo FHC compraram os bancos públicos estaduais,
muitos a preço de banana e, de forma escandalosa, deixaram o que chamam de
parte "podre" do banco (rombos e dívidas) para serem cobertas com
dinheiro público. Ora se era para deixar o ônus para o povo pagar, então pelo
menos o bônus da parte boa dos bancos estaduais, como a carteira de clientes,
folha de pagamento do funcionalismo estadual, deveria ir para o Banco do Brasil
e para a CEF, que são bancos públicos. Aliás na Privataria Tucana os banqueiros
meteram a mão em tudo o que o foi empresa privatizada, desde a Telebras até a
Vale.
Por isso, não é surpresa que o
PSDB defenda essa imoralidade que é o financiamento privado de campanha. Em
artigo publicado no jornal Estadão no
ultimo dia 11, José Serra defende
continuar o modelo da Privataria Tucana, com Cachoeiras, empreiteiras e
banqueiros financiando a eleição. O tucano recorre ao argumento frágil de que a
regra de proporcionalidade do tamanho das bancadas favorece os maiores partidos
(hoje o PT), mas se o problema fosse só esse, seria só rediscutir os critérios
para repartir os recursos exclusivamente públicos e não ir totalmente contra
eles.


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