GAMA prende skinhead procurado
pela polícia mineira
Com apoio de departamentos da
Polícia Civil e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, os guardas
municipais prenderam, neste domingo, Antônio Donato Baudson Beret, que estava
na cidade com a namorada
Uma ligação feita por
funcionários de um hotel de Americana na
noite de quinta-feira deixou a Guarda Municipal de Americana (GAMA) em alerta
durante todo o fim de semana. O telefonema relatava um jovem de comportamento
estranho e tendências violentas, cujo perfil pesquisado na internet levava a
fotos do mesmo enforcando um morador de rua em plena praça Savassi, no coração
de Belo Horizonte, Minas Gerais. Com as informações, deu-se início a um
trabalho conjunto que envolveu, além dos guardas americanenses, a Polícia Civil
mineira por meio do DEICC (Delegacia Especializada em Investigações ao Crime
Cibernético) e do Ministério Público mineiro.
O resultado foi a prisão, em
Americana, do auxiliar de ourives Antônio Donato Baudson Beret, 25 anos, e de
mais três pessoas em Belo Horizonte, por Apologia ao Crime, com os agravantes
de Racismo e Nazismo, e Formação de Quadrilha. Os quatro, de acordo com a
polícia, são skinheads e praticam violenta intolerância contra minorias:
moradores de rua, usuários de drogas, homossexuais, punks, skatistas, negros e
em alguns casos, mulheres. Beret estava na cidade visitando a namorada, a quem
conheceu via internet, e foi até São Paulo com a jovem na casa de uma avó. Em
seu retorno à cidade, neste domingo (14), foi preso.
Tudo foi iniciado na noite de
quinta-feira, quando o auxiliar se hospedou em um hotel da região central
americanense e seu perfil despertou suspeitas por parte dos funcionários, que
procuraram a GAMA. De acordo com o sub-inspetor Paulo Borges, da GAMA, Beret
chegou a ser abordado após um início de confusão, mas foi liberado. Após o
fato, ele foi para outro hotel, desta vez na Avenida Cillos. Lá, os
funcionários também desconfiaram de Antônio e, novamente, procuraram a GAMA,
que após breve pesquisa, entrou em contato com a Polícia Civil mineira.
Então, deu-se início a um
trabalho conjunto que envolveu, pela Polícia Civil, o DEPATRI (Departamento de
Crimes Contra o Patrimônio), que inclui o DEICC, que investiga crimes cometidos
via internet, quatro delegados, uma comissão de diretos humanos e o Ministério
Público Estadual, cujo juiz expediu mandado de prisão preventiva contra Beret e
mais três indivíduos. Quatro investigadores do DEICC se dirigiram a Americana
na madrugada deste domingo para a prisão e custódia do jovem.
No sábado, a GAMA, que mantinha
contato constato constante com o hotel onde o suspeito estava hospedado, soube
que Beret e a namorada americanense haviam se deslocado de ônibus até São
Paulo, segundo informações, para visitar a avó da jovem, mas havia deixado
parte de seus pertences no quarto. A estratégia para saber se o suspeito
voltaria – e a que horas – para Americana foi fazer um funcionário do hotel
entrar em contato com o auxiliar de ourives para questioná-lo sobre a liberação
do quarto. A afirmação foi de que o casal já estava no ônibus a caminho de
Americana.
No início da tarde deste domingo,
viaturas da ROMEP (Ronda Ostensiva Municipal Especial Preventiva) e do
patrulhamento da GAMA, além dos investigadores do DEICC Felipe Rodrigues Davi,
Marco Lívio Zacarias Gomes Silva, Diego Barbosa Duarte e Gustavo Luiz Lucindo
da Silva prepararam a abordagem, que foi feita dentro da Rodoviária de
Americana, no momento em que os passageiros desciam do ônibus vindo da capital
paulista.
Com ele foram apreendidas duas
facas, um facão e um soco inglês. Antonio Donato Baudson Beret e a namorada foram levados ao plantão
policial da Delegacia Seccional de Americana. A garota foi liberada após
prestar depoimento: ela não possui nenhuma ficha criminal. Quanto a Beret,
constam pelo menos seis boletins de ocorrência em Minas Gerais sob as naturezas
de Lesão Corporal, Ameaça, Agressão e Rixa entre grupos. Em seu perfil do
Facebook – que foi apagado neste domingo – constavam fotos suas com material
remetente ao Nazismo e de agressões cometidas a moradores de rua, em uma delas,
ele enforcava um homem negro com uma corrente. O fato motivou o Centro Nacional
de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores de
Material Reciclável a pedir ao Ministério Público Estadual de Minas Gerais a
investigar os ataques há três dias, quando a foto foi postada e gerou polêmica
em Belo Horizonte.
O delegado de plantão Robson
Gonçalves de Oliveira registrou a prisão, ouviu as partes e entregou a custódia
do indiciado aos investigadores do DEICC, que o levaram na noite deste domingo
até a Cadeia de Pouso Alegre, na região metropolitana de Belo Horizonte. Beret
cumprirá 30 dias de prisão preventiva para o prosseguimento das investigações.
Fotos: Guarda Municipal de
Americana.
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