23/04/2013
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| Renato Rovai |
A Associação das Pequenas
Empresas e Empreendedores Individuais de Comunicação, a Altercom, divulga nota
questionando a análise do secretário executivo da Secom em texto publicado no
site Observatório da Imprensa. O secretário fala em desconcentração e em
diminuição das verbas publicitárias para a TV líder de audiência, no caso, a
Globo. Mas não é isso o que o estudo feito pela própria Secom revela. Os dados
são assustadores e comprovam o quanto o governo brasileiro financia a
concentração midiática.
Nota da Altercom: Estudo comprova
concentração das verbas nos grandes veículos
A Secretaria da Comunicação
(Secom) da presidência da República, responsável pelo investimento publicitário
das verbas do governo federal, autarquias e empresas estatais, publicou texto
assinado pelo seu secretário questionando críticas realizadas por pequenas
empresas de comunicação e empreendedores individuais, entre eles blogueiros,
acerca dos seus critérios.
A Altercom como entidade tem
defendido os interesses da sua base e proposto entre outros pontos que se
estabeleça como política a destinação de 30% das verbas publicitárias às
pequenas empresas de comunicação. Pratica adotada em outros setores da
economia, como na compra de alimentos para a merenda escolar. E também em
outros países onde a pluralidade informativa é obrigação do Estado, inclusive do
ponto de vista do financiamento.
Em nome da qualidade do debate
democrático, a Altercom utilizará os números do estudo divulgado pela Secom
para defender sua tese de que a política atual do governo federal está
fortalecendo os conglomerados midiáticos, não garante a pluralidade informativa
e mais do que isso não reflete os hábitos de consumo de comunicação e
informação do brasileiro. Tem como única referência os parâmetros das grandes
agências de publicidade e seu sistema de remuneração onde o principal elemento
é a Bonificação por Volume (BV).
A partir disso, seguem algumas
observações que têm por base os números do estudo publicado e assinado pelo
secretário executivo da Secom.
Em 2000, ainda no governo FHC, o
meio televisão representava 54,5% da verba total de publicidade que era de
1,239 bilhão. Em 2012, esse percentual cresceu para 62,63% de uma verba de
1,797 bilhão. Ou seja, houve concentração de verba em TV mesmo com a queda de
audiência do meio e o fortalecimento da internet.
Em 2011, os grandes portais
receberam 38,93% das verbas totais de internet. Em 2012, os grandes portais
passaram a receber 48,57% deste volume. Mesmo com a ampliação da diversidade na
rede a Secom preferiu a concentração de recursos.
Também de 2011 para 2012, a Rede Globo aumentou
sua participação no share de Tvs. Saiu de 41,91% em 2011 para 43,98% no ano
passado.
Se a Secom utilizasse como base o
que a TV Globo recebeu da sua verba total ano a ano, o resultado seria
desprezível do ponto de vista da desconcentração como defendido a partir do
estudo. Em 2000 a
TV Globo teve 29,8% do total da verba da Secom e em 2012 esse percentual foi de
27,5%. Neste número não estão incluídas as verbas para TV fechada, que eram de
2,95% em 2000 e passaram para 10,03% do total do meio TV em 2012. Nesse
segmento, provavelmente a maior parte dos recursos também vai para veículos das
Organizações Globo que ainda têm expressivos percentuais dos recursos para
jornais, rádios, revistas, portais etc.
Utilizando os dados da Secom
também é possível chegar a conclusão de que em 2000, a TV Globo ficava com
aproximadamente 370 milhões das verbas totais de publicidade do governo
federal. Em 2012, esse valor passou a ser de aproximadamente 495 milhões.
O secretário executivo da Secom
também afirma que houve ampliação do número de veículos programados de 2000
para 2012, o que a Altercom reconhece como um fato. Essa ampliação foi
significativa, mas no texto não é informado qual a porcentagem do valor total
destinado a esses veículos que antes não eram programados.
Por fim, no estudo o secretário
parece defender apenas o critério da audiência quantitativa como referência
para programação de mídia. Sendo que a legislação atual não restringe a
distribuição das verbas de mídia ao critério exclusivo de quantidade de pessoas
atingidas. Aponta, por exemplo, a segmentação do público receptor da informação
e o objetivo do alcance da publicidade, entre outras questões. E é notório
também que a distribuição dos recursos deve considerar a qualidade do veículo
programado e a sua reputação editorial.
Considerando que a Secom está
disposta ao diálogo, o que é bom para o processo democrático, a Altercom
solicita publicamente e por pedido de informação que será protocolado com base
na legislação vigente, os seguintes dados.
- A lista dos investimentos em
todas as empresas da Organização Globo no período do estudo apresentado pela
Secom (2000 a
2012).
- O número de veículos
programados pela Secom ano a ano no período do estudo (2000 a 2012)
- Quanto foi investido por cada
órgão da administração direta e indireta no período do estudo (2000 a 2012).
- Quais foram os 10 veículos que
mais receberam verbas publicitárias em cada órgão da administração direta e
indireta em cada meio (TV, rádio, jornais, revistas, internet etc) no período
do estudo (2000 a
2012).
- A curva ABC dos veículos e
investimentos realizados pela Secom. Ou seja, o percentual de verbas aplicadas
nos 10 maiores veículos, nos 100 maiores e nos demais no periodo de 2000 a 2012.
- O que justifica do ponto de
vista dos hábitos de consumo da comunicação a ampliação do percentual de verbas
publicitárias de 2000 para 2012 no meio TV.
- O sistema e o critério de
classificação e ranqueamento que estaria sendo utilizado pela Secom para
programação de mídia.
A Altercom tem outras ponderações
a fazer a partir do estudo apresentado, mas confiando na postura democrática da
atual gestão avalia que os pontos aqui levantados já são suficientes para que o
debate seja feito em outro patamar.
Reafirmamos nossa posição de que
a distribuição das verbas publicitárias governamentais não pode atender apenas
a lógica mercadista. Elas precisam ser referenciadas nos artigos da
Constituição Federal que apontam que o Estado brasileiro deve promover a
diversidade e a pluralidade informativa.
A Altercom também reafirma a sua
sugestão de que a Secom deveria adotar o percentual de 30% das verbas
publicitárias para os pequenos veículos de informação, o que fortaleceria toda
a cadeia produtiva do setor da comunicação. E colocaria o Brasil num outro
patamar democrático, possibilitando o fortalecimento e o surgimento de novas
empresas e veículos neste segmento fundamental numa sociedade informacional.
São Paulo, 22 de abril de 2013


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