2 DE MAIO DE 2013
31
![]() |
FHC está por trás das tolices ditas por Aécio? |
Ao repetir chavões arquiconservadores como o da democracia em “risco”, ele vai se tornando um Serra com topete.
FHC é vaidoso, está
desatualizado, sofre ao se ver tão cedo relegado a uma nota de rodapé na
história dos presidentes brasileiros.
Ele seguiu a receita de Thatcher
e hoje se vê no que ela deu nos países em que não houve uma drástica mudança de
rota.
Bem, FHC tem muitos defeitos –
mas bobo, definitivamente, não é.
Não é possível que ele esteja por
trás das tolices em série proferidas por Aécio.
Num espaço de poucos dias Aécio
conseguiu se pronunciar contra a reeleição – foi FHC quem a trouxe de volta,
sabemos todos a que preço – , levantou alarme sobre a inflação e agora repete a
ladainha dos dias de Lacerda segundo a qual a democracia está em “perigo”.
Não faltariam bons argumentos
para Aécio criticar Dilma e o PT. Exemplo: um levantamento divulgado esta
semana mostrou que o Brasil, entre 40 países, ficou em penúltimo em educação.
(A Finlândia estava no topo, para confirmar a admirável supremacia da sociedade
escandinava.)
Aécio poderia falar nisso. Dez
anos de PT e é isso que temos a mostrar ao mundo em educação? Poderia também
citar outro estudo segundo o qual o Brasil é o quarto país mais desigual da
América Latina. Se você é quarto na Europa, é uma coisa desagradável, mas dá
para engolir. Mas ser quarto numa região já em si tão desigual como a América
Latina é vexatório.
Haveria, sim, muita coisa
relevante a falar.
Mas para isso Aécio teria que
ler. Ou melhor, que ler as coisas certas.
Aécio parece estar repetindo
coisas que são faladas por Jabor, escritas por Merval, repetidas por Reinaldo Azevedo
– enfim, todos aqueles clichês
arquiconservadores por trás dos quais se esconde apenas o desejo de manter
privilégios indefensáveis.
E repete o mesmo erro incrível de
Serra nestes anos todos: deixou o PT sozinho para falar do tema mais importante
não apenas do Brasil mas do mundo contemporâneo: justiça social.
Rapidamente, se transforma num
Serra com topete.
Não pelo que tem feito, que sem
dúvida poderia e deveria ser mais, mas pelas besteiras que os adversários vão
cometendo em série, Dilma tende a ter em 2014 uma das vitórias mais fáceis da
história das eleições presidenciais.
Se for para o segundo turno, vai
ser uma surpresa.


Nenhum comentário:
Postar um comentário